David Bowie E A Trilogia De Berlim


Por: Alisson Göthz

Enquanto viveu na Alemanha, Bowie gravou três dos mais importantes discos de sua carreira.

A Trilogia de Berlim reúne os três discos que David Bowie gravou enquanto vivia na capital alemã. Ele trocou a Inglaterra e os EUA por Berlim para tentar se afastar das drogas, e também pelo interesse crescente pela música pré-eletrônica que então vinha sendo produzida no país (Kraftwerk, kraut rock, Neu!, Conny Plank). Lá, dividiu um apartamento com seu amigo Iggy Pop – outro que também precisava de “novos ares’.

Foi em Berlim que Bowie produziu juntamente com Tony Visconti e Brian Eno três álbuns clássicos de sua discografia: Low (1977), “Heroes” (1977) e Lodger (1979). Durante este período extremamente fértil, ajudou Iggy a gravar seus dois primeiros discos solo (The Idiot (1977) e Lust For Life (1977)) e também excursionou com o cantor pela Europa e pelos EUA como seu tecladista e backing vocal em 1977. De todos os álbuns, apenas “Heroes” foi totalmente gravado na cidade, mas o termo “trilogia de Berlim” é usado pelo próprio Bowie para descrever esta época.

Esta transformação artística de Bowie já dava seus primeiros passos no álbum que precedeu a trilogia Station To Station (1976), onde seu novo personagem, o Thin White Duke (cujo nome “coincidentemente” era o alter-ego ideal para esta época cocainômana), desfilava influências do kraut rock aliados ao soul/funk de sua fase pós Ziggy Stardust/Alladin Sane.

(Nota: quem quiser conhecer a fundo esse período na carreira de Bowie pode comprar o livro Bowie in Berlin: A New Career in a New Town de Thomas Jerome Seabrook, ou o documentáro Under Review 1976-79 – The Berlin Trilogy que reúne entrevistas e vídeos raros desta fase, intercalados por críticas de especialistas). Vamos aos discos.

Low (1977)

“Sem o disco Low, nós não teríamos o Joy Division, o Human League, o Cabaret Voltaire e muito menos o Arcade Fire. A lenda ainda vive”, profetiza um crítico do site Pitchfork Media.

A melhor forma de ouvir Low (1977) é em sua versão original, em vinil, dada a diferença de sonoridades e enfoque de cada lado do disco: o lado A é formado por canções pequenas e fragmentadas com influências que precediam o electro, o punk rock e a new wave, enquanto o lado B é composto apenas por longas faixas instrumentais – e é neste lado que o dedo mágico de Eno pesa mais forte.

Os vocais de Bowie ainda sentem os abusos cometidos por ele em seu até então recente vício em cocaína, e soam como gelo seco – o que não deixa ofuscar o brilho de canções como “Always Crashing in the Same Car” e “Be My Wife”, dois grandes petardos de sua carreira. Low também acerta em cheio em outras faixas hoje consideradas clássicas como “Sound + Vision” e “Breaking Glass”.

Veja o vídeo de “Be My Wife”.

Embora requeira um audição mais cuidadosa, o lado B de Low (1977) mostra um Bowie amadurecido e ávido por mudanças. “Art Decade” e “Weeping Wall” são pura improvisação jazzy mesclada com os experimentos ambient de Eno, enquanto “Warszawa” explora a sensação vazia que Bowie sentiu ao visitar a cidade de Varsóvia em 1973 – sentimento este que percorre todo o disco, que se chamou Low (1977) justamente por causa dos altos e baixos que o músico sentia longe das drogas durante a gravação do mesmo.

Embora o álbum seguinte seja considerado pela maioria como o ápice da fase alemã de Bowie, este é um trabalho que merece todo o respeito, e sua experiência permanece atual.

Ouça:

– Always Crashing In The Same Car

– Sound And Vision



Heroes (1977)

O segundo álbum da trilogia é o que mais tem a cara da cidade, dividida em dois por um opressivo muro. Faixas como “Joe the Lion”, “Beauty and the Beast” e “The Secret Life of Arabia” são, no mínimo, pontos altos de sua carreira.

Não há como ignorar uma faixa como “Heroes”, uma de suas melhores criações até hoje. A velha história de dois jovens que se amam e que se encontrar através do muro de Berlim ganha força especial na voz desesperada e apaixonada de Bowie: a frase “nós podemos ser heróis, nem que seja por apenas um dia” resume tudo. Esta canção histórica ganhou várias versões ao longo dos anos, em especial a cantada por Debbie Harry e seu grupo Blondie.

Veja o vídeo de “Heroes”:

O álbum possui algumas faixas instrumentais como “Sense of Doubt” e “Neuköln”, ambas com um clima mais introspectivo e de guerra-fria, mas o restante do álbum projeta uma atitude muito mais positivista e esperançosa do que Low. “V2-Schneider” é uma bem humorada homenagem à Florian Schneider, um dos líderes do Kraftwerk. A faixa é marcada pelo saxofone intencionalmente fora de ritmo de Bowie, que começou a tocá-lo na hora errada mas, gostando do resultado final, resolveu continuar assim mesmo.

Um dado interessante é que o próprio Kraftwerk fez uma homenagem à dupla Bowie/Iggy em um de seus maiores clássicos, a faixa Trans-Europe Express (1977), onde eles declamam os versos “From station to station / back to Düsseldorf City / Meet Iggy Pop and David Bowie”.

Várias faixas de “Heroes” foram incluídas no filme Christianne F. (1977), com Bowie interpretando ele mesmo na película. O compositor Phillip Glass recriou “Heroes” (1977) e Low (1977) com músicos de uma orquesta americana nos anos 90 em seus álbuns Heroes Symphony e Low Symphony.

Bowie conta que o nome do disco é escrito entre aspas para dar ênfase à ironia existente no conceito do que é heroismo.

Ouça:

– The Secret Life Of Arabia

– V-2 Schneider

Lodger (1979)

O último álbum da trilogia foi gravado parte na Suíça, parte em Nova Iorque e tem uma sonoridade mais acessível dos que os outros dois, sem grandes viagens instrumentais e com uma veia pop bem mais carregada – ainda que sem perder o experimentalismo. Na época foi recebido friamente pela crítica e fez menos sucesso que Low (1977) e “Heroes” (1977), e hoje em dia é considerado um dos álbuns mais injustiçados do músico.

E não é pra menos: só a faixa “Boys Keep Swinging” (devidamente acompanhada do clipe em que Bowie aparecia “contracenando” com três hilárias personas-bowiescas travestidas) já vale metade do álbum, resgatando suas idéias sobre sexualidade e gênero de álbuns anteriores. Na mesma linha rocker, chega “Look Back In Anger”, outro grande trabalho.

Veja o vídeo de “Boys Keep Swinging”:

Lodger (1979) também tem aventureira e exótica, puxada por faixas como “African Night Flight” e “Yassassin (Turkish for Long Live)”. A faixa “DJ” era uma bem humorada crítica ao universo dos disc-jockeys, e seu vídeo, dirigido por David Mallet (grande favorito de Bowie, trabalhando com ele em diversos outros) trazia o músico destruindo um estúdio de gravação.

Ouça:

– Look Back In Anger

– Yassassin Turkish For Long Live

Apesar de completar 30 anos, a trilogia berlinense causou efeitos em todas as gerações seguintes de músicos que escutaram estes discos, e até hoje se mostra relevante. Seja tirando experiências da própria vida que Bowie levava na época (a luta contra as drogas e a canalização do vício para uma produção criativa – crises tão comuns e viscerais) ou como influência sonora (sua esperta mistura de gêneros e sua vontade de brincar como experimentalismo), Low (1977), “Heroes” (1977) e Lodger (1979) formam uma verdadeira trinca de ouro da música moderna que continuará inspirando músicos e artistas por muito tempo.

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David Bowie Trabalha Em Novo Álbum


A mensagem foi curta, mas o conteúdo promissor. Usando o Twitter, o cantor e compositor britânico David Bowie contou aos fãs que está em Berlim, na Alemanha, trabalhando em novo material.

Se depender dos ares alemães e da história do cantor britânico com aquele país, podemos esperar um ótimo disco. Entre 1976 e 1979, Bowie morou em Berlim, e foi nesse período que lançou clássicos de sua discografia, como Low (1977), Heroes (1977) e Lodger (1979) inspirados em nomes como Kraftwerk e o krautrock.

David Bowie esteve ausente dos palcos e estúdio por um tempo, nos últimos anos o cantor esteve mais presente com sua carreira de ator com filmes como O Grande Truque e August, Um dos motivos por Bowie ter se ausentado dos palcos foi um problema cardíaco constatado em 2004, o que abreviou a turnê de divulgação de Reality (2003). De lá pra cá, uma das únicas aparições musicais de David Bowie foi no álbum da cantora e atriz Scarlett Johansson, Anywhere I Lay My Head (2008).

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Fontes: Guitar Player e IG Música

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David Bowie Relançará Show De Sua Fase Ziggy Stardust


Por Henrique Inglez De Souza

Um dos maiores clássicos de David Bowie, o disco The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (1972) marcou também uma de suas melhores fases como músico. Lançado em 1972, o trabalho cravou clássicos como ‘Five Years’ e ‘Ziggy Stardust’. Um rock simples, mas de muita qualidade, vinda principalmente das mãos do talentoso guitarrista Mick Ronson.

David Bowie anunciou o relançamento de um registro antológico, realizado durante a turnê do celebrado The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (1972). O disco conterá uma apresentação realizada em 20 de outubro de 1972, em Los Angeles (EUA). Intitulado David Bowie, Santa Monica ‘72, o álbum será lançado em CD e em LP duplo.

São 18 faixas que mostram o envolvimento de David Bowie com o glam rock. Entre as mais emblemáticas, ‘Space Oddity’, ‘John, I’m Only Dancing’, ‘Rock ‘n’ Roll Suicide’ e ‘Ziggy Stardust’, que já teve mais de 20 regravações feitas por outros músicos.

Confira as músicas de David Bowie, Santa Monica ’72 (2008):
01. Introduction
02. Hang On To Yourself
03. Ziggy Stardust
04. Changes
05. The Supermen
06. Life On Mars?
07. Five Years
08. Space Oddity
09. Andy Warhol
10. My Death
11. The Width Of A Circle
12. Queen Bitch
13. Moonage Daydream
14. John, I’m Only Dancing
15. I’m Waiting For The Man
16. The Jean Genie
17. Suffragette City
18. Rock ‘n’ Roll Suicide

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