Pioneiro Do Afrobeat, Fela Kuti, Tem A Discografia Relançada


Por Roberto Maia

A partir de 11 de maio, a Knitting Factory Records vai dar continuidade ao relançamento da obra completa de Fela Kuti, com série Na Poi.
Esta nova coleção é composta de 7 CDs que englobam 14 discos originais. A maioria destes discos é da fase histórica do meio dos anos 70, representando uma fase primordial da carreira do músico.

Fela Kuti foi um músico e compositor nigeriano, multi-instrumentista, pioneiro da música afrobeat, com uma participação ativa no campo político dos direitos humanos; nasceu em Abeokuta, no estado de Ogun, na Nigéria, dentro de uma família moderna para os padrões africanos; sua mãe foi a primeira mulher nigeriana a dirigir um automóvel e uma feminista atuante no movimento anti-colonial; seu pai foi um pastor protestante, sendo o primeiro presidente da União Nigeriana de Professores. Kuti mudou para Londres em 1958, com a intenção de estudar medicina, mas acabou estudando música no Trinity College of Music, onde formou a banda Koola Lobitos, criando um estilo de música que se chamaria posteriormente de afrobeat. Este estilo é uma mistura de jazz com o rock psicodélico e música africana.

Em 1969, levou a banda para os Estados Unidos e lá descobriu o movimento Black Power, o que influenciou fortemente sua música e suas visões políticas. Fela e sua banda, renomeada para “Afrika 70” retornaram para a Nigéria, quando formou a República Kalakuta, uma comunidade, um estúdio de gravação e uma espécie de casa para os músicos, que mais tarde declararia como algo independente do Estado da Nigéria.

Em 1977, Fela e a Afrika 70 lançaram o sucesso Zombie, que atacava ferozmente os soldados nigerianos, usando a metáfora “zumbi” para descrever os métodos cruéis das forças armadas nigerianas; este disco teve um sucesso enorme entre o público e enfureceu o governo Nigeriano. O resultado foi o cruel ataque à sua comuna República Kalakuta; mil soldados atacaram o local; Fela foi severamente espancado e sua mãe idosa foi arremessada de uma janela, ficando com ferimentos fatais. A República Kalakuta foi incendiada e o estúdio, instrumentos e gravações originais de Fela foram destruídos. Fela teria sido morto se não fosse pela intervenção de um oficial. Para registrar este abuso, Fela enviou o caixão de sua mãe para Lagos e escreveu duas canções: “Coffin For Head Of State” e “Unknown Soldier”, narrando a versão do inquérito oficial, que afirmou que a comuna foi destruída por um soldado desconhecido. Sua vida foi então uma constante reivindicação e luta pelos direitos de seu povo, com sua música sempre refletindo tal reivindicação. Sua produção musical foi diminuindo até os anos 90, quando morreu em 1997.

Sua música foi um legado de inovação e suas ações ajudaram e muito a mobilização política internacional. Para saber mais detalhes destes relançamentos, consulte aqui o site oficial.

Comprovando ainda a grande importância da vida e obra de Fela Kuti, atualmente está em cartaz na Broadway: FELA!; um musical dirigido por Bill T. Jones sobre o artista. Abaixo vídeo:

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