Documentário Sobre Novos Baianos Sem Baby Consuelo Dá A Largada Em Brasília


Por Alessandro Giannini

Depois da turbulência causada pela passagem de “Lula, o Filho do Brasil” na abertura do 42o. Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, a primeira noite das mostras competitivas de longas e curtas-metragens em 35 mms, na quarta (18) à noite, agora no Cine Brasília, foi menos atropelada. E o início teve bons filmes, com os curtas “Homem Bomba”, de Tarcísio Lara Puiati, e o “Amigos Bizarros de Ricardinho”, de Augusto Canani. Entre os longas, teve o documentário “Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano”, de Henrique Dantas, sobre o grupo Novos Baianos.

Produzido ao longo de onze anos, “Os Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano” reconstitui, por meio de entrevistas e fragmentos de documentários, filmes ficcionais e pessoais, a formação do grupo Novos Baianos, ponta de lança do movimento Tropicalista brasileiro. O filme também mostra a influência de João Gilberto sobre o grupo e na música que produziram a partir do contato com o “criador” da Bossa Nova.

Falam Moraes Moreira, Pepeu Gomes e seus irmãos, Tom Zé, Galvão, Paulinho Boca de Cantor, Tom Zé, o produtor Solano Ribeiro, o cineasta Orlando Senna e muitos outros personagens ativos na cultura dos anos 60 e 70. Embora seja uma presença constante no filme, por meio de citações e anedotas, Gilberto só aparece em fragmentos de uma fotografia.”Por um momento, alimentamos a possibilidade de fazer uma entrevista com ele”, revelou o diretor baiano Henrique Dantas. “Mas infelizmente não aconteceu e achamos melhor mencioná-lo desse jeito.

Outra ausência muito sentida no filme é a de Baby Consuelo, hoje chamada de Baby do Brasil, que não aparece dando depoimento, como vários outros integrantes do grupo. Ela aparece apenas em imagens antigas de um documentário feito pela televisão alemã nos anos 1970. Nos créditos finais, um letreiro informa que a cantora e compositora foi entrevistada, mas não autorizou o uso de suas imagens.

Durante o debate desta quinta (19) de manhã, Dantas disse que a entrevista com Baby foi “sensacional”. “Ela tem uma memória incrível e é uma contadora de histórias maravilhosa”, contou. “Montamos o filme com o depoimento dela, que inclusive encerrava a narrativa, mas infelizmente não chegamos a um acordo.” Segundo uma das produtoras do filme, a negociação teria envolvido também o pagamento de cachê.

A disputa aconteceu quando Dantas estava quase fechando um acordo de parceria para a distribuição de “Filhos de João”, o que o fez desistir de continuar negociando com Baby do Brasil e reestruturou a montagem. “Eu não tinha mais condições de ficar postergando essa história”, contou. “Então, numa segunda-feira, eu cheguei na produtora e disse para o [montador] Bau Carvalho: ‘Vamos tirar a Baby do filme’.”

Dantas disse que não tem intenção de mexer no filme, por enquanto. “Mas se ela voltar atrás e tivermos recursos, por que não?”

Curtas-metragens
Produzido no Rio de Janeiro, “Homem Bomba” conta a história de dois pequenos moradores de uma favela carioca, “olheiros” do tráfico, que conversam enquanto vigiam as redondezas em busca de movimentos suspeitos. O filme gaúcho “Amigos Bizarros de Ricardinho”, com clara influência de Jorge Furtado e dos filmes da Casa de Cinema de Porto Alegre, apoia-se em um personagem real e incomum, arte-finalista em uma agência de propaganda, e os causos sobre seus parentes a amigos. Este último se credencia à lista de premiados.

“O Ricardinho existe, é arte-finalista em uma agência de propaganda e as histórias que ele conta são verdadeiras”, disse o diretor gaúcho Augusto Canani sobre o personagem principal, interpretado pelo personagem real, Ricardo Lilja. “Sim, tomamos algumas liberdades poéticas, como na história da tia Neiva. Ela teve cinco filhos e, a cada cesariana, ela ficou com instrumentos cirurgicos esquecidos nas entranhas. Mas não foram todas as vezes.”

Myspace
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