Ápice Da Ópera-Rock, “Quadrophenia” E “Artur” Ganham Versão De Luxo


Sting em cena de Quadrophenia o filme de 1979

Por Thales De Menezes

Neste fim de ano, duas óperas-rock foram relançadas em versões luxuosas, com CDs duplos, livrinhos e material inédito de bônus.

Ambas são inglesas. Quadrophenia (1973), marcou a volta da banda The Who ao gênero. Quatro anos antes, o quarteto havia lançado, com mais repercussão, Tommy (1969).

O outro relançamento da temporada é Arthur (1969), do The Kinks. Sua versão original saiu em 1969, mesmo ano de Tommy (1969), e durante muito tempo fãs das duas bandas discutiram qual delas era a real criadora do gênero.

Discussão inútil, porque há tempos os estudiosos de rock concordaram que o mérito era mesmo do Nirvana. Não, Kurt Cobain não tem nada a ver com essa história. Ele estava literalmente no berço quando a banda psicodélica inglesa Nirvana lançou, em 1967, o álbum The Story Of Simon Simopath (1967). É quase um sacrilégio comparar a qualidade musical do Nirvana inglês com bandas seminais na história do rock como Who e Kinks.

No entanto, o disco de 1967 já trouxe todas as características que definiriam a ópera-rock: um álbum inteiro contando uma história ao longo de várias canções, com personagens recorrentes. O resultado é irregular. A banda consumia LSD em altas doses quando gravou o disco. E tudo o que produziu depois, até o começo dos anos 70, é muito pior.

O Kinks sempre foi um grupo mais cult do que criador de hits. Assim, sobrou para Tommy (1969) todo o impacto revolucionário da ópera-rock.

O disco ganhou uma versão com orquestra sinfônica e estrelas convidadas, como Rod Stewart, virou filme de sucesso –com Roger Daltrey, vocalista do Who, no papel principal– e, depois, uma peça, que chegou a ser montada no Brasil nos anos 90.

Pela Segunda Vez

O Who voltou ao gênero em 1973. Pete Townshend, líder e guitarrista, quis um argumento menos “maluco” do que o de Tommy (1973). Buscava uma trama mais realista. Então seu foco foram brigas entre gangues de jovens que aconteceram em 1964 e 1965, em Londres e Brighton.

Falando apenas de música, Quadrophenia (1973) é mais poderosa do que Tommy (1969). Faixas como ‘5:15’, ‘The Real Me’ e ‘Love, Reign O’er Me’ entram em toda lista do melhor da banda. E eis aqui o grande desempenho do baterista Keith Moon (1946-78).

Quadrophenia (1973) também virou filme, em 1979 –com um jovem Sting posando de bad boy. Depois, originou um musical de teatro, em 2005.

Outros discos são chamados às vezes de ópera-rock, como Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (1972), de David Bowie, e Berlin (1973), de Lou Reed. Mas não passam pelo crivo de puristas. Suas canções não têm as ligações quase literárias que sobram em Quadrophenia (1973).

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